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Quais são os sintomas?

As manifestações alérgicas são variadas, podendo ocorrer em simultâneo ou sucedem-se ao longo da vida do doente alérgico.

Graças a estudos epidemiológicos realizados, ficou demonstrado que a vida do doente alérgico começa na mais tenra idade. Se um lactente é atópico, portanto com risco de vir a tornar-se alérgico, devido não só ao laço familiar, mas também à exposição aos alergénios, começa por se mostrar sensível a determinados alimentos. Estas alergias alimentares, muito frequentes nos lactentes, vão em seguida ter tendência a diminuir, ou mesmo a desaparecer, cedendo lugar a uma sensibilização aos alergénios inalados, que provocam alergias respiratórias como a rinite ou a asma. Ao longo da vida, o doente alérgico pode sensibilizar-se a diversos alergénios, falando-se então de polissensibilização.

As alergias podem atingir diferentes partes do corpo: o nariz, os brônquios, os olhos, a pele, o tubo digestivo.

O conjunto destes órgãos alvo tem duas particularidades:

  1. São os órgãos em contacto com o ambiente e, portanto, com o alergénio.
  2. Possuem mastócitos que intervêm na reacção alérgica. São células cujo papel consiste em prevenir o nosso corpo de um ataque do ambiente.  

 

O nariz

Quando o órgão alvo da alergia é o nariz, deparamo-nos com numerosos sintomas semelhantes aos de uma constipação: sensação de nariz entupido, corrimento nasal (corrimento aquoso), comichões ao nível do nariz e do palato, espirros.
Esta inflamação da mucosa nasal, associada à alergia, é designada por rinite alérgica. Quando estes sinais (sintomas) surgem episodicamente, ou seja, apenas em determinadas épocas do ano, fala-se de rinite sazonal, sendo esta o reflexo de uma alergia aos pólenes, ou aos esporos dos bolores. Em linguagem corrente, fala-se neste caso de «febre dos fenos».
Uma rinite persistente ao longo do ano é a chamada «rinite peranual» e traduz uma sensibilização a um ou vários elementos alergénicos presentes em permanência no ambiente (ácaros, pêlos de animais, bolores de interior, por exemplo). Mas também pode estar associada a uma irritação ocular, falando-se então de rinoconjuntivite alérgica.
A rinite alérgica está na origem de uma degradação da qualidade de vida (incómodo permanente na vida do dia a dia, tanto em casa como no trabalho), uma diminuição do desempenho escolar na criança e uma diminuição da produtividade profissional, no adulto. Um problema de Saúde Pública à escala mundial. Actualmente, entre 15 e 20% da população europeia sofre de rinite alérgica, tal como 20% da população americana.  

Os brônquios

A inflamação dos brônquios provoca um mal-estar respiratório intenso, uma respiração sibilante e tosse (quase sempre nocturna). Esta inflamação induz uma contracção dos músculos que comandam a sua abertura: a passagem do ar é dificultada, a expiração do ar não é feita normalmente e o acto de respirar produz um silvo. Trata-se de uma asma alérgica. Estes sintomas estão associados a um hipersecreção de muco (e daí a tosse) e a um edema dos brônquios. As crises de asma podem manifestar-se através de uma respiração ofegante, até uma insuficiência respiratória grave, necessitando de hospitalização. Na criança, a asma pode prejudicar o desenvolvimento torácico e ter uma influência negativa na vida familiar e escolar.  
Actualmente, 5 a 15% da população europeia sofre de asma alérgica, tal como cerca de 10% da população americana.

"A asma e a rinite alérgica estão ligadas": Alguém que sofra de rinite alérgica está três vezes mais exposto ao surgimento de asma do que qualquer indivíduo não alérgico. Diversos estudos realizados demonstraram a frequente coexistência destas duas afecções. Apesar de apresentarem diferenças, a rinite e a asma são testemunhas de um processo inflamatório comum, que afecta tanto as vias respiratórias superiores como as inferiores. O controlo da rinite alérgica pode portanto ajudar a prevenir o aparecimento da asma.  

Os olhos

A conjuntivite alérgica é uma patologia que se traduz por olhos lacrimejantes, vermelhos e com uma sensação de picadas e comichões, dificuldade em suportar a luz, pálpebras vermelhas e inchadas. Está muitas vezes associada à rinite alérgica, fala-se então de rinoconjuntivite alérgica.  

A pele

As irritações, as manchas vermelhas e as borbulhas são muitas vezes sintomas das seguintes patologias:

        1. Eczema:
- Eczema atópico: O eczema atópico (igualmente designado por dermatite atópica) surge numa fase muito prematura da vida do lactente e caracteriza-se por uma induração da epiderme (a pele endurece e torna-se áspera, como cartão), surge eritema e prurido, por vezes associados a edema. Estas lesões aparecem tipicamente ao nível do rosto, do couro cabeludo, das pregas de flexão dos membros (nas virilhas e/ou nas concavidades dos joelhos, ou mesmo nas axilas). Se não for tratada, a dermatite atópica favorece a desidratação da pele. As proteínas do leite de vaca estão muitas vezes na origem desta forma de eczema.
- Eczema de contacto: O eczema de contacto atinge principalmente os adultos e associa uma erupção eritematosa, pequenas vesículas cutâneas (pequenas borbulhas ou bolhas na pele, cheias de líquido) e uma comichão intensa (os médicos falam de prurido). As lesões estão localizadas nos pontos de contacto do alergénio com a pele e surgem 2 a 3 dias após o contacto.

       2. A urticária alérgica:
A urticária alérgica surge muitas vezes repentinamente, após a ingestão de um medicamento ou de um alimento e manifesta-se por um conjunto de pequenas pápulas vermelhas (pequenas borbulhas à superfície da pele) ou de manchas em relevo na pele, acompanhadas de prurido intenso e podendo estender-se a todo o corpo.  

O edema de Quincke e o choque anafiláctico

O edema de Quincke é uma forma específica de urticária associada a um edema. Surgindo de forma violenta e repentina, estende-se em profundidade, desde a pele para os tecidos subcutâneos, e mesmo para as mucosas. Muitas vezes localizado ao nível do rosto, o edema pode, numa forma mais grave, afectar as vias aerodigestivas superiores (garganta e laringe) e, em apenas alguns minutos, estar na origem de uma asfixia, com quebra da pressão arterial e perda de consciência. Este fenómeno é designado por choque anafiláctico e necessita de tratamento urgente (nomeadamente, injecção de adrenalina). O edema de Quincke está associado a uma alergia alimentar, medicamentosa ou a uma sensibilização aos venenos dos himenópteros (abelha, vespa, zangão).  

O tubo digestivo

Os alergénios alimentares ou os medicamentos podem provocar problemas digestivos.