O processo alérgico
A realização de estudos epidemiológicos permitiu demonstrar que a vida do doente alérgico tem início na mais tenra idade. Um lactente atópico, que apresenta um risco elevado de vir a desenvolver alergias, devido não apenas aos respectivos antecedentes familiares, mas também à exposição aos alergénios, começa por se mostrar sensível a determinados alimentos.
Estas alergias alimentares, extremamente comuns nos lactentes, tendem a diminuir ou mesmo a desaparecer, dando lugar a uma sensibilização aos alergénios inalados, que provocam alergias respiratórias, como a asma ou a rinite. O indivíduo poderá ser subsequentemente sensibilizado a outros alergénios, um fenómeno conhecido como polisensibilização.
Foi demonstrado que a imunoterapia alergénica poderá desempenhar um papel fundamental nesta área, uma vez que impede a sensibilização a novos alergénios
Progressão habitual dos sintomas de alergia na infância, durante o processo alérgico:

Da rinite à asma alérgica
Estudos fisiopatológicos1,2,3 demonstraram a existência de uma estreita correlação entre a rinite e a asma, no processo alérgico. Apesar de existirem diferenças entre estas duas doenças, considera-se que as vias respiratórias superiores e inferiores são afectadas por um processo inflamatório comum, que poderá ser amplificado por mecanismos interdependentes.
O muco nasal e o muco brônquico apresentam semelhanças; o carácter complementar destes dois fluidos deverá ser considerado, particularmente através de interacções entre o nariz e os pulmões.
1 Linneberg A. et al. The link between allergic rhinitis and allergic asthma: a prospective population-based study. The Copenhagen Allergy Study. Allergy 2002; 57: 1048-52
2 Bousquet J. et al. Characteristics of intermittent and persistent allergic rhinitis: DREAMS study group. Clin Exp Allergy 2005; 35: 728-32
3 Niggemann B.et al. Five-year follow-up on the PAT study: specific immunotherapy and long-term prevention of asthma in children. Allergy. 2006; 61(7):855-9
A rinite alérgica deverá ser considerada como um factor de risco da doença asmática
Foi demonstrado que a imunoterapia alergénica permite impedir que a rinite se converta em asma, vários anos depois3
1 Shaaban R. et al. Rhinitis and onset of asthma: a longitudinal population-based study. Lancet. 2008; sep 20; 372(9643):1049-57
2 Layeart B. et al. Association between asthma and rhinitis according to atopic sensitization in a population-based study. J Allergy Clin Immunol. 2004 Jan; 113(1):86-93
3 Jacobens L. et al. Specific immunotherapy has long-term preventive effect of seasonal and perennial asthma: 10-year follow-up on the PAT study. Allergy. 2007 Aug;62(8):943-8
Testemunhos de doentes
Testemunho de Thomas, um doente de 25 anos com rinoconjuntivite grave
Senti-me mal na presença de pólen durante vários anos. Costumava tomar anti-histamínicos, até que acabei por consultar um alergologista, que me diagnosticou uma alergia ao pólen das gramíneas.
Esta condição costumava afectar-me pelo menos três meses por ano. Sentia comichão nos olhos e estava sempre a espirrar. Mais recentemente, tenho tido dificuldade em respirar, pelo que decidi consultar um especialista. De facto, apresento uma série de sintomas, agora agravados por dores de cabeça.
Estava preocupado acerca do meu futuro e das complicações desta condição na minha vida quotidiana. Estava a dormir muito mal e tinha muitas dificuldades de concentração. O impacto desta condição na minha vida pessoal e profissional preocupava-me bastante.
A minha doença obrigou-me a adoptar várias medidas e deixava-me cansado vários meses por ano. A perspectiva de me tornar asmático era verdadeiramente assustadora.